Ele nem disse adeus.

ele nem disse adeus

Nunca pensei que um dia o silêncio viesse a ser o meu companheiro de longas horas. Enquanto esteve por aqui você dizia que eu falava demais e quase sempre estava fazendo barulho. É realmente verdade, eu nunca me contive, sempre estou transbordando emoções e quando  estava do teu lado não era diferente. Agora, tudo é sem cor e sem som, porque ainda não consigo aceitar que você se foi quase como que alguém que nunca quis ficar ficar e amar a pessoa que esteve ao seu lado.

Cara, você foi embora de uma forma tão doída que escrever esse texto me faz sentir exatamente o mesmo que ocorreu quando aquela porta foi batida, quando você me entregou as suas chaves e disse que agora eu tinha todo aquele espaço pra moldar o que desejava e você aparentemente não estava em meus planos. Assistir você me virar as costas foi como uma facada no peito em câmera lenta e fez com que eu sentisse o corte da lâmina, ou melhor dizendo, o peso do abandono.
Entre meus gritos pedindo para que ficasse a garganta enrolava com o desespero. Meu rosto era um rio de lágrimas enquanto você se afastava cada vez mais e sumia da minha perspectiva e eu caia no chão chorando e perdendo meu  ar.
Você saiu do meu horizonte sem ao menos dizer adeus, sem ao menos tentar recomeçar, sem nenhuma conversa sensata. Você me castigou com a dor de sentir a falta que outro alguém faz quando sai assim, de fininho da vida de uma pessoa. A gente sabe que um dia pode acabar, mas não esperamos que seja dado de brinde a solidão repentina. Não consigo aceitar que você se foi como um simples abrir e fechar de olhos, não expôs o que sentia, não falou da gente, não me abraçou forte e partiu, só partiu. É doloroso ter vivenciado essa forma seca de acabar o que nós éramos.
Eu cumprimento o silêncio porque ele foi o que sobrou de você, foi ele quem ficou quando tu partiu e ele vai me acompanhar por um bom tempo até que eu seja capaz de fazer barulhos no meio da noite. Barulhos esses que não sejam de pratos se quebrando contra a parede ou que não seja o meu chorar na beira da cama pedindo pra que você volte ou até mesmo a respiração acelerada por lembrar que o seu adeus não precisou ser dito e sim feito.



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Sobre o autor

Oi, oi. Meu Nome é Gabriel Marques, mas pode me chamar de Biel- Agora somos íntimos. Tenho 19 anos, sou de Belém e faço faculdade de Jornalismo. Me considero viciado em internet, na cor azul, em comida, livros, Séries e uma lista de coisas clichês. Eu criei o Meu Extraordinário pra falar de tudo o que eu acho interessante e relevante, seja bem vindo!